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quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

[...] tenho me sentido em um estado de alerta constante.. como se algo ruim estivesse acontecendo nesse exato momento. Acho que sei o que se passa.. Não tenho com quem falar sobre isso. Nem a quem recorrer. Desta vez estou mesmo só. Você precisa ser forte, meu caro. Esse é o momento em que você mais precisa de estabilidade. As pessoas sabem disso e mesmo assim, partem com o que resta de meu coração. Não sei se mereço tudo dessa forma. 
Você tem que aprender, meu caro. As coisas nem sempre sairão como o planejado. Tente ao menos ser forte... Você sabe que é, e sente isso.. Você a ama. Mas ela tem evitado te ver. Então tente aceitar isso. Não precisa deixar de amá-la. Por que você sabe. Até isso acontecer... Muita coisa passará em sua frente...

sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

Tudo reside na importância que damos aos nossos sentimentos. Pensamos que é grande coisa, porque de fato acreditamos nisso. Damos tamanha importância por que acreditamos que nossa vida é só isso. E não é. Mas ainda estou longe de adotar essa postura. Acho que ainda não sou capaz. Tenho que parar de usar "acho". No fundo eu tenho certeza do que se passa aqui dentro. E quando digo que acho é só apenas para que soe como uma dúvida e tudo isso fosse mais fácil de se aceitar. Não é e tenho certeza disso. Então não faz o menor sentido tentar me enganar. 
''Um garoto corria, como se o diabo o perseguisse, ou algo pior, se é que existe. Não. Nada o perseguia. Não tinha forças para correr daquela forma. Mas corria. E correria até a exaustão. Aí viria o grito de desespero que assustaria mães, cães e passáros. O grito era apenas a verbalização daquilo que explodia em sua cabeça. Parou e devido ao esforço da corrida somado com o grito, caiu. Ficou ali um bom tempo, sentou-se na calçada. Fazia um pouco de frio naquela noite de julho."
"Fazia frio naquela madrugada de verão. Durante o dia o calor era sufocante, as vezes  torna-se tão denso que quando as pessoas saiam de algum recinto fechado, sentiam o impacto quando apontavam na rua. Na praça rodeada de prédios, uma mulher de roupão rosa passeava com seu cão. Ela trazia algo preso à cabeça e um cigarro em seus lábios. O cão fazia suas necessidades. Escutou um estrondo em uma das portarias e um garoto saia correndo feito louco. O cão ficou intrigado, pronto para atacar e a mulher ficou impassivel. Observou a cena até que o garoto saísse do seu campo visual. Terminou seu cigarro. Esperou o cão estar pronto. E como já era acostumado com aquilo, já tomava o rumo de casa. ''Bom garoto", dizia a mulher. Entrou em sua portaria e lembrou-se do rapaz que corria. Antes da porta ser fechada por completo um grito rasgou a noite. Já devia passar das quatro da manhã. A mulher estacou. Sentiu um arrepio e tentou imaginar o que havia acontecido. Pensou no rapaz. Aquele grito não era de dor física. Ela tinha certeza daquilo. Talvez pela forma como tudo havia ocorrido até aquele momento. Olhou em direção a praça na espera de ver algo, mas nada... Nem sinais do rapaz. Pensou um pouco e viu que era perda de tempo pensar nisso. Que diferença faria  saber o que tinha acontecido? Nenhuma. Nenhuma relevância em sua vida. Sentia frio e fechou sua porta. Dentro de mais quatro horas estaria ali de novo "